Minha liberdade é escrever. A
palavra é o meu domínio sobre o mundo. Clarice Lispector.
A Educação Básica de qualidade é
um direito assegurado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente, conforme dispõe o capítulo III, art. 205 “a educação no Brasil é
direito de todos e dever do Estado e da família, promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade. Deve visar o pleno desenvolvimento pessoal, exercício
da cidadania e a qualificação para o trabalho. ” Infelizmente, muitas pessoas
desconhecem as leis que regem nosso país e, quando as conhecem “interpretam a
partir de onde os pés pisam”. Leonardo Boff tem razão, “cada um lê com os olhos
que tem”, por isso criam suas próprias leis embasadas no egoísmo e no
sentimento de desforra.
É valido salientar que o panorama
dos ditos poderosos não é estável, conforme assevera o teólogo acima. Hoje de
sapato, amanhã de chinelo. Hoje sem lente, amanhã com óculos. Embevecidos pelo
poder e fechados em seus mundos os pseudosoberanos esquecem a rua da infância,
a professora do primário, o trajeto da escola, a merenda escolar. “Na marcha do mundo capitalista”, onde as
leis não bastam, assistimos à educação escorregar pelo ralo. Transpondo as
linhas deste texto para nossa realidade, já que não temos a pretensão de ser
tão abrangente, mas, esmiuçar algumas demandas no que concerne à Secretaria
Municipal de Educação de Dom Basílio. A postura desta repartição pública tem
provocado indignação nos profissionais de educação.
No momento hodierno, nem um pano
de fundo foi usado para justificar as ações infundadas desta Secretaria. A
história da carochinha não nos convence mais: todos já perceberam que a
princesa se tornou uma bruxa e o sapo continua sapo.
Atualmente as manobras políticas
não logram muito êxito. Os representantes da gestão perceberam que os cidadãos
dombasilienses já sabem que a crise não poderia ter sido descarregada apenas
por estas terras. Além disso, compreenderam que as informações se propagam de
diversas maneiras, e a transparência das contas públicas chega em nossas mãos
pelo um simples toque de dedo.
Sem saber o que fazer para
perseguir ainda mais os profissionais da educação, sem argumentos em suas
falácias, esta secretaria resolveu criar uma lei, ou melhor, burlar o resultado
de uma luta coletiva, cujo objetivo está descrito no capítulo III da
Constituição Federal no qual dispõe sobre a importância da “valorização dos
profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de
carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos,
aos das redes públicas;”.
Enquanto em Jacaraci, município
baiano, os professores iniciaram o ano letivo motivados e eufóricos com a
concessão de um aumento salarial de 11,36%, acompanhando o reajuste do Piso
Salarial Nacional e a redução de jornada de trabalho; aqui em Dom Basílio
ocorre justamente ao contrário, especificamente, no que se refere ao segundo
ponto. De forma irresponsável, atitude
como essa ligada à Secretaria de Educação compromete com todo o ciclo letivo.
Aumentar a jornada de trabalho, exceder o número de alunos em sala do
Fundamental I, já que o previsto em lei é no máximo 24 - eles compuseram com 30
-, são ações que merecem repúdio de toda a população. Diante dessa postura
adotada por esse setor, torna-se cada vai mais distantes alcançar as metas no
IDEB - Índice de Desenvolvimento de Educação Básica, pois a tendência dos
melhores profissionais é migrar para outros setores, outros municípios que
investem na educação.
E assim, os “retirantes” não
precisam ir muito longe, pois logo ali, em Jacaraci, vão encontrar propostas
que condizem para o desenvolvimento da educação e, consequentemente, da pessoa
humana. Todavia, se mesmo assim não estiverem satisfeitos podem migrar para
Licínio de Almeida, cidade com pouco mais de 12 mil habitantes e com a economia
e o número habitacional semelhante de Dom Basílio. Porém, a realidade
educacional separa-as em dois mundos: De um lado, a valorização dos professores
que permitem colocar o município em primeiro lugar na Bahia no IDEB; do outro,
a desvalorização dos docentes que contribuem para o aniquilamento da educação.
Na verdade, desejamos a
permanência desses profissionais aqui, fazendo de Dom Basílio uma Licínio de
Almeida, uma Jacaraci, uma cidade qualquer no interior da Bahia, no Nordeste,
no país, onde o respeito à Constituição, à LDB, às leis municipais são os
pilares que regem o sistema educacional. Desejamos que os professores
perseguidos por essas ações maquiavélicas sejam apenas retirantes deste meio
ilícito e desumano. Desejamos mais do que isso, que “a falsificação das
palavras pingando nos jornais”, possa dissolver em tintas de veracidade.
Ensinar é, enfim, enfrentar o
desafio de lidar com gente, isto é, com criaturas tão imprevisíveis e
diferentes quanto semelhantes, ao longo de uma existência inscrita na teia das
relações humanas, neste mundo complexo. Educar é dizer não, para as imposições
dos falsos poderosos; educar é questionar as mazelas políticas que atrofiam a
aprendizagem. Educar é viver os versos de Drummond: “Calo-me, espero, decifro.
/As coisas talvez melhorem. /São tão fortes as coisas! /Mas eu não sou as
coisas e me revolto. ” Não somos coisas, objetos, números... revoltem-se!
Sindservdb, lutar para conquistar!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário